ENQUADRAMENTO

Por Wilson Araújo, em CONTOS

ENQUADRAMENTO

28 de Junho de 2019 às 13:35

Sentado. Cabeça baixa. Horas, horas e horas. Tédio profundo e resignação. Um corredor obscenamente longo. Carcomido. Luzes queimadas. Paredes esverdeadas. Azulejo Velho. Lodo. Umidade. Pessoas Feias, magras, sujas. Maltrapilhas. Velhos esquálidos. Crianças moribundas. Bebês defecados.

Espera. Longa espera. Passos vindo do fim. Fim do corredor. Chama um nome. Eu levanto com dificuldade.

Agarram meu braço. Um puxão. Tropeço, cai uma unha.

A sala é escura. Foco de luz sobre uma maca rasgada e puída.

A faca cega e enferrujada rasga meu peito com fúria. Dor excruciante.

Levanto e vejo meu coração jogado a um canto, sendo dilacerado por ratazanas de olhos vermelhos. Meu peito é costurado com linha preta. Me acompanham até uma porta no lado oposto da sala.

No outro lado o céu é azul limpo, o sol beija meu rosto com um calor acolhedor. As árvores são verdes, os prédios são altos e as pessoas são bem vestidas e felizes.

Voltar