Os Oito III ou Ostigado

Por Ostiga Jr, em CRÔNICA

Os Oito III ou Ostigado

17 de Dezembro de 2023 às 14:01

Instigado (ou "Ostigado") pelo amigo Raul Lopes Neto, passo, pois, a dividir com vocês, minhas impressões sobre o memorável concerto dos Titãs, da noite de 16-12-2023, no Theresina Hall.

 

Embora a data tenha sido a citada, para mim, esse show começou bem no início dos anúncios da turnê "Todos Ao Mesmo Tempo Agora", quando o país foi surpreendido com a notícia da reunião da banda. Naquele momento, apesar da divulgação da agenda de shows deixar claro que Teresina não estava entre as cidades que receberiam os shows, enchi-me de esperanças de que haveria uma extensão da programação e de que eles enfim, nos agraciariam com esse espetáculo.

 

A agenda originalmente prevista, alguns meses depois, já quase chegava ao fim, quando, coroando minha fé, surgem os anúncios de uma nova programação, de nome "Pra Dizer Adeus", na qual brilha o nome da capital mundial, Teresina.

 

Tão logo iniciaram as vendas, já garanti meu ingresso e o de minha esposa, pra não ter risco de estarmos de fora dessa noite, que até parece uma festa, com tanta diversão e arte.

 

Eis que chega o grande dia e eu, que além de ter ido a TODAS as apresentações da banda aqui, no estado, além do poderosíssimo show, abrindo pros Rolling Stones, no Morumbi, ainda tive a graça de abrir quatro desses shows (Atlantic City; Piauí Pop; Planeta Diário e Poty Shopping) chego ao Theresina Hall, preparado pra uma grande noite, mas, pra minha grata surpresa, me deparo com algo muito maior que isso: a reunião dos 8 (sim, Fromer estava ali!!!), mais do que um show, foi uma retrospectiva das vidas de toda uma geração que esteve presente, lotando a casa e compondo aquela bela celebração de luz, sons e sonhos, e, em especial, da minha vida, e aqui, cito a vida de um grande irmão de armas e de alma, André de Sousa, que começou a tocar junto comigo e a quem atribuo a culpa por fazer o que faço.

 

Quando aqueles primeiros acordes em A+ começaram a ser executados, já o puxei pelo ombro e, emocionado, lembrei que Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas era a primeira do repertório dos shows de nossa primeira banda, Invasão Domiciliar, no início dos anos 1990, quando tínhamos 14 anos (33 anos se passaram, desde então).

 

Não preciso dizer mais nada pra explicar a razão pela qual classifico o show de hoje como uma verdadeira retrospectiva de nossas vidas.

 

Cada música que os oito tocavam vinha acompanhada, não só por guitarras, baixo, teclado, bateria e pelas vozes dos vocalistas de cada uma delas, mas também, e muito mais audíveis, por indeléveis memórias e emoções que me fizeram pular, bater cabeça e cantar junto, como se o garoto de 14 anos nunca tivesse envelhecido.

 

Agradeço, demais, à maior banda de rock do Brasil por me lembrar que a gente não quer só dinheiro... a gente quer a vida como a vida quer!

 

Nota 1: apressei-me em responder ao convite do Raul e escrevi meu relato assim que cheguei em casa, pra ter certeza de que o mesmo ficasse recheado das emoções vividas, ainda quentinhas, como uma fornada de pães, recém tirada do fogo.

 

Nota 2: o garoto de 14 anos está perigosamente de volta.

 

A saga:

Os Oito I: https://www.revistaentrerios.com/posts/cronicamente-viavel-os-oito (Raul Lopes)
Os Oito II: https://www.revistaentrerios.com/posts/cronicamente-viavel-os-oito-ii (Flávio Stambowsky)

 

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